sexta-feira, 24 de julho de 2009

Teratonia ao vivo.

Iandra Cattani em Teratonia. Foto Carolina Hilário. Tratamento de imagem M. Klamt.


quarta-feira, 22 de julho de 2009

A Influência de Francis Bacon sobre os Veículos Automotores Brasileiros.

Francis Bacon - Study for Bullfight No.1

Talvez o que mais caracterize a Ío seja o humor. Mas, certamente, um humor que não pode ser classificado como engraçado - de modo geral não tem força nem para arquear o canto dos lábios. Emprega a ironia como principal instrumento, mas também se apóia em oxímoros e humor negro. Mas o que nos interessa no humor é a apropriação da estrutura da piada. Isto é, uma narrativa inusitada que se constrói e subitamente tem um ponto inesperado de ruptura, onde normalmente está a graça e é o instante em que o ouvinte toma consciência das relações internas da piada. Não é casual que o Osho usava, com freqüência, piadas em suas palestras. A percepção de que uma piada é uma homeopática epifania, que tem estreita correlação com estados mais complexos de consciência como, por exemplo o kensho* budista ou a êxtase católica ou um It Lispectoriano, é o que nos interessa como método de uso. Uma percepção que ocorre em um tempo exíguo em que os múltiplos sentidos se conectam e que seja engraçado, mas sem graça, é nossa ambição. Vamos a uma análise de caso ilustrativa: no espetáculo SAÍDA DE EMERGÊNCIA, de 2004-06, havia um vídeo com o título quilométrico (referência humorística aos títulos de capítulos de Cândido, de Voltaire, ou Don Quixote, em que o enunciado de modo geral antecipa tudo que acontecerá no mesmo) de A Influência de Francis Bacon sobre os Veículos Automotores Brasileiros. Obviamente que Francis Bacon não é aquele precursor da ciência moderna (ao qual alguns maledicentes imputavam a obra de Shakespeare), mas o pintor. Em nossos translados a nosso retiro Garibaldense (uau, que bucólico), percebemos que os animais mortos e sucessivamente atropelados nas estradas acabavam tomando a forma de figuras à la Francis Bacon. Disto surgiu a disposição de fazer um vídeo com o irônico titulo supracitado, como se o pintor britânico influenciasse esteticamente os motoristas brazucas em suas ações assassinas motorizadas, tornando as estradas, assim, um amplo espaço expositivo, obviamente macabro.
Io - Still do vídeo "A Influência.."

Pós escrito:
Para aqueles que buscam significados transcendentais na Ironia ou na sincronicidade, no dia em que iríamos começar a gravação do vídeo, nossa gata Pimponeta foi atropelada e morta.
Boa diversão aos que tem o hobby de procurar significados nas complexas relações aleatórias de eventos dissociados, e encontrar nisto um significado simbólico.

*Kensho refere-se à primeira percepção da Natureza Búdica ou Verdadeira Natureza, algumas vezes conhecida como "acordar". Diferentemente do satori, que se refere a um estado de iluminação mais profundo e duradouro, o Kensho não é um estado permanente de iluminação, mas uma visão clara da natureza última da existência.


Princípio da Incerteza para o óbito de célebres escritores




Já que no mesmo Post (acima) foram citados, casualmente, Cervantes e Shakespeare, dois cavaleiros que tenho em alta conta como heróis existenciais, vamos a uma curiosa curiosidade (pleonasmo meu): é fato notório que ambos morreram no dia 23 de Abril. Contudo, é importante perceber que o Calendário Gregoriano já era utilizado na Espanha desde o século XVI, enquanto que na Inglaterra, que desconfiava deste golpismo temporal católico (Kepler ironizava a adoção do novo calendário por “estar em desacordo com o Sol e estar de acordo com o Papa”), utilizava, ainda, o Calendário Juliano. A adoção do calendário Gregoriano pelos britânicos deu-se somente em 1751, isto é, mais de 150 anos depois. Assim, em 1582, o Papa Gregório XIII, aconselhado pelos astrônomos, decretou pela bula Inter gravissimas que quinta-feira, 4 de Outubro de 1582 seria imediatamente seguido de sexta-feira 15 de Outubro. Logo, nesta matemática obtusa, Miguel de Cervantes e Shakespeare faleceram no dia 23 de abril, contudo com onze dias de diferença. Em relação à mudança do calendário Juliano para o Gregoriano, fico imaginando alguns boêmios que, saindo para uma noite de beberagem no dia 4 de outubro de 1582, acordaram apenas no dia 15 (isto é, no dia seguinte).

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Teratonia outra vez


Temper Faktor, input_output e Ío

Quarta-Feira, dia 1 de Julho o conglobado* Teratonia fará uma participação para a divulgação da apresentação do projeto Teratonia (vide serviço abaixo) no programa Radar na TVE entre às 18:00 e 19:00 horas. Vídeos, performances e comentários espirituosos, com as graças do Allulu (deus Babilônico metade pássaro, metade homem (estamos em uma fase de revival de deuses em ostracismo)). Vai ser divertido.
Teratonia
Temper Faktor, input_output e Ío
Quando: 02 e 03 de junho de 2009, às 20h30
Onde: Teatro do Instituto Goethe (24 de Outubro, 112)
Entrada: R$ 10
(50% para clube do assinante e classe artística)


*Conglobado 1 O mesmo que aglomerado. 2 Composto de materiais heterogêneos ou de várias fontes. 3 Bot Densamente agrupado. 4 Zool Reunido irregularmente em um ou mais pontos, em vez de ser distribuído uniformemente (pêlos, olhos, manchas etc.). sm 1 Qualquer coisa composta de materiais ou elementos heterogêneos; amontoado.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Teratofilia

Max Ernst, do livro Une Semaine De Bonté

Tentar definir Teratofilia já parece em si um certo equívoco - a palavra deve ser um neologismo, pois não encontrei a mesma em nenhum dicionário formal e, apesar de existir na wikipédia, ainda não há um link disponível. Referências webísticas, que são a única fonte de aparecimento da palavra, são poucas, repetitivas e divergentes. Ora apontam Teratofilia como “desejo e excitação por pênis grandes” (em que o grau de excitabilidade está diretamente relacionado à monumentalidade do membro), ora como “atração por pessoas deformadas e o monstruoso”. Vamos considerar especulativamente a palavra Teratofilia, para o bem da retórica, como uma ficção, uma palavra ainda inexistente, e tentar definir seu significado neste quadro, partindo da segunda definição. É necessário primeiro precisar as palavras “monstruoso” e “deformado” para tentar entender Teratofilia. As definições são, respectivamente:
1 Que tem qualidade ou natureza de monstro. 2 Que é contrário à ordem regular da natureza. 3 De grandeza extraordinária. 4 Que excede quanto se devia esperar. 5 Muito feio, repulsivo. 6 Que excede tudo que se possa imaginar de mau.
1 Mudar a forma de, tornar(-se) disforme. 2 Reproduzir inexatamente: O repórter deformou o pensamento do entrevistado.
Dentro destas definições, Teratofilia poderia ser definido como uma atração pelo irregular nos padrões naturais, tanto em forma quanto em dimensões (claro que, agregado a isto, a idéia de muito feio ou repulsivo). Porém, sabemos que isto é um padrão absolutamente relativo - tomando a beleza feminina como modelo, e analisando-a no decorrer da história, comprova-se isto com veemência. Este link exemplifica algo que cumpre alguns estatutos de beleza e no futuro próximo (agora, por exemplo) será visto como uma bizarrice dos nossos tempos.

A Bela e a Fera, de Jean Cocteau

Meu argumento é que a monstruosidade é cultural, social e pessoal, logo, não um valor universal (o que na verdade nada é, culturalmente falando) ou consensual. Que a Teratofilia seria um apreço intenso por estas rupturas, por esta diversidade formidável (veja post http://grupo-io.blogspot.com/2009/06/neologismo.html). Por sistemas e ordenações mais complexos de beleza. Também é considerável a influência no nosso imaginário estético dos deuses e criaturas fantásticas, teratônicas que herdamos da mitologia da antiguidade Suméria, Babilônica, Egípcia, Grego-Romana, das fábulas européias, dos quadrinhos de super-heróis ou do cinema. Podemos pegar um exemplo bem familiar, como a Bela e a Fera (que ficou notória pela versão da Disney). A Bela pode ser considerada uma Teratofílica (tu vê, heim?) Ou o filme Crash do David Cronenberg, pura Teratofilia
E não podemos desconsiderar a definição "Que excede tudo que se possa imaginar de mau" nesta argumentação.
A maldade tem seu inevitável grau de sedução. Um certo mistério desajustado e cruel com seu quê de Anjo Exterminador, presente, ora em doses homeopáticas, ora alopáticas, nas relações de sedução e no sexo em si, ecoando nas suas ordenações de poder e de dominação que são combustíveis do fetiche e com inclinação para serem fascinantes e sexy. O próprio demônio, com sua incontestável luxúria monstruosa, povoou o imaginário erótico de gerações de moças e senhoras de formação cristã. Logo, todo o mundo a leste da Rússia. Mais contemporaneamente, temos o fetiche por vampiros, criaturas que personificam os extremos de fascínio, medo, beleza, crueldade e poder.

sábado, 27 de junho de 2009

Recorrência


Na minha puberdade (palavra já praticamente em desuso), eu sonhava recorrentemente com infestações que ocorriam em alguma partes específicas de meu corpo, anunciado assim, para breve, um estado patológico mais complexo. Eram pequenos bastonetes em uma área de 4 a 6 centímetros quadrados que indicavam o contágio. Outras vezes era um contágio sutil, quase psicológico, que evoluiria para uma devastadora enfermidade. Embora o recorte histórico deste comentário dê-se nos anos 80, em momento algum estes sonhos evoluíam para a melecância (neologismo meu) que caracterizava os contágios no imaginário cinematográfico do período. De modo geral era uma pequena evidência, que no decorrer do sonho ameaçava-me com a possibilidade de desaparecimento gradual ou o homizidiamento de minha consciência ante este invasor. Quando encontrei a imagem acima nos meus arquivos me lembrei destes sonhos (apesar de, admito, possuir uma certa melecância). Não tenho a menor idéia do que ela representa, nem pretendo especular sobre isto. No entanto, olhando-a ela me causa uma mistura de horror e fascínio. Por estranho que pareça, a palavra portuguesa que melhor exprime este sentimento é formidável. A definição dicionarizada de formidável é: algo admirável, impressionante, de forma incomensurável, mas, também, pavoroso, terrível e amedrontador (apesar de todos nós sabermos não ser este o seu uso corriqueiro no Brasil).

terça-feira, 23 de junho de 2009

Teratonia

Foto épica galante dos grupos imagéticos sonoros Ío, input_output e Temper Faktor.
Escalação da Foto:
Fernando Bakos., Munir Klamt, Douglas Dickel, Laura Cattani e Eduardo Bichinho.
.
Dias 2 e 3 do mês vindouro, às 20:30 horas (Brasília como referência) no inigualável Goethe-Institut na rua 24 de Outubro, 112, os três grupos supracitados reencarnam na forma de Teratonia. O grupo Ío com sua formação já clássica Munir Klamt, Laura Cattani e um convidado exteriorano, o Excelentíssimo Senhor Doutor Fabrício Pereira Prado. Estrelando, também, Iandra & Luiza em uma performance de alta restrição física.
Mas o que diabos é Teratonia?
O limite de toda era passa por indecisões e turbulências. É quando acertos, mas também erros, se multiplicam. É quando surgem anomalias, surgem equívocos, surgem monstros. Há períodos em que existe o justo, o belo, o razoável, o correto. Em outros não.
Não ficou claro?
Dúvidas atrozes ainda martirizam seu ser?
Então frua este elucidativo link.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Jimmy Scott ( Série associação Fonética I )

video

Episódio Final de Twin Peaks


Nesta série de 3 pequenos posts unidos por associação fonética serão apresentados três cavaleiros que fazem parte da genealogia da Ío - afinal parentescos se dão, inevitavelmente, por sangue – mas também pelo o conjunto de idéias que nos seduzem pela vida (assunto que será tema de outro post), o que alguns chamam de “Minha Personalidade”.
A Ío, que até hoje nós não sabemos precisamente o que é, eventualmente encarna a forma de uma agremiação musical. Nesta encarnação, ela tem dois vocalistas, mas nós sempre vemos as músicas da Ío cantadas de diversas formas e timbres, como se cada música contasse sua história ou ponto de vista e precisasse de um protagonista individual - o que sempre buscamos emular. Em condições ideais de pressão e saúde financeira Jimmy Scott seria um deles (caso estejas curioso, Nelson Gonçalves, Mike Patton e David Bowie (depois dos cinquenta anos) seriam alguns dos outros).
Introduzimos aqui, então, o primeiro dessa série, o Sr. Jimmy Scott. Jimmy Scott, de família pobre e pai alcoólatra, tinha a síndrome de Kallmann, em decorrência da qual seu corpo produzia uma quantidade reduzida de testosterona, o que alterou o seu crescimento, seu olfato e influenciou a sua voz, deixando-o com um estranho timbre de soprano.
Conhecemos Jimmy Scott no episódio de encerramento do seriado Twin Peaks, onde ele aparece cantando no Salão Negro (vide o vídeo acima). A música, composta por David Lynch, está na trilha de Fire Walk With Me - baixe aqui caso queira.
Esta cena tem um impacto suplementar, em função de todo o conjunto de eventos que cercam a circunstância de seu reaparecimento ser fantástico – após cantar no funeral de um amigo, pela primeira vez em décadas, e ter sido reconhecido por Lou Reed, essa performance é a que marca a volta de Scott, que tivera um longo período fora dos palcos, frustrado com o fracasso, durante o qual trabalhou como funcionário em um hospital e ascensorista de elevador. Este é um caso, como o de David Byrne ressuscitando a carreira de Tom Zé, que trabalhava em um posto de gasolina, e Jim Jarmuch, que trouxe de volta aos palcos Screamin’ Jay Hawkings, que vivia então em um estacionamento de trailers, em que devemos agradecimentos à Lynch por ter trazido-o de volta a uma carreira que se revelou ainda mais impressionante (ele continua cantando, atualmente com 84 anos).
De resto veja o vídeo e no final diga:
-Putaquiopariu.

' video

Jimmy Scott: "Sometimes I Feel Like A Motherless Child”

Legenda Áurea, Nirvana e sua construção de Mundo.


Legenda Áurea. A vida dos Santos - dê um exemplar para o grupo Ío, envie para:
Alberto Bins 591/ap 61 Cep 90030-142 Centro Porto Alegre RS. A/C Munir Klamt.


Este maravilhoso livro, chamado Legenda Áurea (que é um dos nossos sonhos de consumo), conta a vida dos santos, assunto que interessa de sobremaneira a Ío (vide este post). Se, por ventura, você acha isto anacrônico, ultrapassado, quadrado, nada-a-vê, você provavelmente está certo. Contudo*, um dos primeiros historiadores da arte, Giorgio Vasari, publica em 1550 “Le Vite de' più Eccellenti Pittori, Scultori e Architettori”, onde ele registra a vida de alguns artistas do Renascimento. O modelo estrutural que ele toma de empréstimo para organizar este compendio é? Ah? É? A vida dos santos. Sim senhor. Este formato acaba se consagrando, e é válido até hoje. Por exemplo, quando você pensa no Van Gogh, Modigliani, James Dean, Kurt Cobain, você está ecoando mentalmente a construção destas mitologias através da ordenação proposta por Vasari. É sua cabecinha cristã, que você nem sabe que tinha, ordenando o mundo.

Vídeo forçando despudoradamente a tese deste post:

video

* (uma das grandes alegrias da vida é a conjunção adversativa)

quinta-feira, 11 de junho de 2009

(Da série) O que diabos é Corpus Christi?


Ok, feriadão. Pra quem não sabe, o feriado é de Corpus Christi, que é a ascensão corpórea de Cristo aos céus. Depois da páscoa, evento que marca sua crucifixão e ressureição(obrigado Clarissa) - tecnologia que cristo já havia treinado com Lázaro - embora desconheça se a dita ressureição foi engenho de suas artes ou atitude de seu pai. Mas provavelmente foi uma auto-ação, ainda mais considerando a ausência da figura paterna, em uma fase mais contida, no novo testamento. Afinal, deus agita o pedaço no velho testamento – dilúvios, genocídios, holocausto nuclear (Sodoma e Gomorra), primogenicídio (se é que existe tal palavra) no Egito, contabilizando mais de 2 milhões de mortos (na verdade 2.391.421). Satã matou 10 na mesma Bíblia, sério (obviamente a sua preocupação com a imagem pública era bem maior). Caso queira ver o placar completo e o local destes embates clique aqui.
Mas, voltando ao assunto, que aqui é a ascensão de Cristo, depois de sua ressureição-reencarnação (terminologia complicada neste caso, uma vez que Jesus volta, teoricamente, no mesmo corpo, porém nem mesmo seus apóstolos o reconhecem imediatamente) passa 40 dias na terra (coincidentemente o mesmo período que ele passou no deserto) e sobe aos céus – detalhe: COM seu corpo, e esse que é o grande lance. A partir deste evento, seu corpo, na Terra, passa a existir através da transubstanciação da eucaristia. Isto é, a hóstia, aquele objeto minimalista que representa simbolicamente o corpo e o sangue de cristo. O que argumentativamente nos torna, cristãos no geral, uma espécie de vampiro ao ingerir com tanta devoção este corpo e este sangue. Caso você tenha tido a paciência de ler até aqui e pense:
Io kéko?
Leia o próximo post.

Mãe


Série Trágica, na qual Flávio de Carvalho desenha
os últimos momentos do estertor de sua mãe.

Aqui o relato no Estado de S. Paulo sob o título de: NA PROCISSÃO, UMA EXPERIÊNCIA SOBRE A PSICOLOGIA DAS MULTIDÕES DA QUAL RESULTOU SÉRIO DISTÚRBIO. Domingo, às 15 horas, quando desfilava pelas ruas do centro da cidade a procissão de Corpus Christi, um rapaz muito bem posto, que se achava na esquina da rua Direita e Praça do Patriarca, não se descobriu, conservando ostensivamente seu chapéu na cabeça. Os crentes, que acompanhavam o cortejo, revoltaram-se com esta atitude e exigiram em altos brados que ele se descobrisse. Ele, no entanto, sorrindo para a turba, não tirou o chapéu, embora o clamor da multidão já se tivesse transformado em franca ameaça. Foi então que inúmeros populares tentaram linchá-lo, investindo contra ele. O rapaz pôs-se em fuga, ocultando-se na Leiteria Campo Bello, situada à rua São Bento, até onde foi perseguido pelos mais exaltados. O sub-delegado de plantão na Polícia Central compareceu ao local, onde deu garantias ao moço, protegendo-o contra a ira do povo. Na Polícia Central para onde foi conduzido, declarou a vítima da exaltação popular o engenheiro Flávio de Carvalho, de 31 anos de idade, residente à Praça Oswaldo Cruz, 1. Nas suas declarações, disse que há tempos se vem dedicando a estudos sobre a psicologia das multidões e tem mesmo alguns trabalhos inéditos sobre a matéria. Para melhor orientação dos seus estudos, resolvera fazer uma experiência sobre a "capacidade agressiva de uma massa religiosa à resistência das forças das leis civis, ou determinar se a força da crença é maior do que a força da lei e do respeito à vida humana"

Lyncha! Lyncha! Lyncha!


Tapetes feitos para a procissão de Corpus Christi. Nas cidades de tradição açoriana eles são de pétalas de flores.


No dia de Corpus Christi de 1931, o artista Flávio de Carvalho realizou a experiência número 2, que consistia em andar no sentido contrário à procissão de Corpus Christi usando um boné, um boné verde de veludo.
Você, na sua ausência de perspectiva histórica, talvez esteja dizendo: - Grandes merda.
No entanto, na provinciana São Paulo de 1931, manter um boné ostensivamente na cabeça, durante uma procissão ou na igreja, era acintosamente agressivo.
Resumo dos eventos: Flávio de Carvalho teve que fugir da multidão e foi salvo pela polícia. Para constar, a turba enlouquecida gritava ensandecidamente:
Lyncha, Lyncha, Lyncha... (que, na época, era escrito assim mesmo)



Capa da segunda edição do livreto em que Flávio de Carvalho contava o evento da Experiencia número 2.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

!!!


Prêmio Açorianos, visto bem de perto (mais precisamente, da mesa de centro da nossa sala)

quinta-feira, 21 de maio de 2009

5.000 anos atrás e seus efeitos sobre o agora, agora.

O carneiro aprisionado no matagal (figura de 4.500 anos, na verdade.
É que 5.000 soa melhor).

Figura de Oferenda do Vale do Ur, região anteriormente conhecida como Suméria (agora Iraque ocupado). Tipo de representação imagética e de aglutinação de poder obscuro, no qual tentamos justificar o post seguinte. Esta estátua é conhecida popularmente(?) como O carneiro aprisionado no matagal.


quarta-feira, 29 de abril de 2009

Nada, mas ao contrário.






Fotos: Laura Cattani

domingo, 26 de abril de 2009

Região Autónoma dos Açores


Troféu Galho Fumante. Foto:Fabio Del Re

O grupo Ío foi indicado ao prêmio Açorianos de Artes Plásticas na categoria Mídias Técnológicas pela exposição Zede Etes - O Estranho Equívoco de A. Hilzendeger Feltes no Porão do Paço Municipal. A cerimônia de premiação acontecerá no dia 8 de maio, às 20h, no Teatro Renascença. E, como dizia Ernesto Souza (em relação à corrida de cavalos, claro): aposte no azarão pois, se por um lado as chances de ganhar são quase nulas, por outro, no caso de uma eventual vitória, fica demonstrado a todos os seus pares que, através de uma acurada percepção de um conjunto de eventos, aparentemente não relacionados e invisíveis a todos os outros, que indicavam o desenlace inesperado, você foi o único a vislumbrar tal hipótese; e onde o maior prêmio (considerando que o dinheiro consome-se a si mesmo) é o seu regojizo pessoal (neste caso, metaforicamente falando, o prêmio dos apostadores é o compartilhamento de nossa boa fortuna).

O Administrador Apagado na Revista Cidade B

Página Interna da Revista Cidade B. Foto:Munir Klamt

A terceira fase do projeto O Estranho Equívoco de A. Hilzendeger Feltes, com o adorável nome de O Administrador Apagado, tem como plataforma inicial de lançamento as páginas da revista Cidade B número 14. Procure a revista, leia o texto e se informe. Mais indicações, curiosidades ou pistas no blog do Administrador Apagado.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Atração Magnética

Tales. Foto: Munir Klamt

Há alguns dias surgiu, quase por acaso, este objeto de fetiche: a elegante (friso meu) composição de imãs e lâminas de canivete. O que me fascina nesta composição singela (deve ter uns doze centímetros) é, fora seu equilíbrio estético (e que eu olho sem parar), a junção das partes pelo magnetismo. Em retrospectiva para aqueles que chegaram agora no planeta Terra, magnetismo é aquele negócio que Tales de Mileto (século VI A.C) em uma de suas viagens a Magnésia na Asia (então província Grega) descobriu chutando pedrinhas mas, tal qual brinquedo de criança, não servia para nada, fora ser um fenômeno curioso. Não que os animais não usassem há picas eras para orientação geodésica (aves migratórias, por exemplo). Só no Século XIII é utilizado para fazer a bússola, e o mundo como você o conhece hoje se deve a isto. Pulamos 600 anos e Maxwell cria a teoria moderna do electromagnetismo, segundo a qual eletricidade e magnetismo estão intimamente unidos (casualmente, dois semideuses da minha cosmogamia de mistérios da existência) e propagam-se à velocidade da luz. Daí para motores elétricos, bobinas e dínamos foram alguns tropeções, e novamente estamos diante do mundo como você o conhece ( fora que Maxwell está diretamente ligado, em base teórica, à televisão). Não que esta historicidade esteja neste objeto (embora esteja de certa forma), mas a junção das lâminas por algo invisível me fascina de uma maneira quase mística.
Pintura de Tiradentes por Pedro Américo.

E o Tiradentes?
É um post de efemeridades, sim, mas fora isto quando eu vi este objeto (que precisa de um nome provisório, talvez Tales) me lembrei imediatamente deste bizarro quadro do Pedro Américo (mais conhecido pela Primeira Missa do Brasil e o Grito da Independência), que criou certo constrangimento entre seus contemporâneos, e fiquei pensando sempre relacionalmente os dois, como uma união invisível entre ambos, algum tipo de livre associação que, como diria o marquês de Valmont, “Está fora de meu controle”.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Impressões


Márcio Silveira dos Santos
Fotos: Munir Klamt e Laura Cattani



Nosso método de trabalho para o Administrador (e de modo geral) é o seguinte: tudo parte de uma idéia ou imagem, e esta condiciona a forma (fotografia, instalação, música, etc), que é então regurgitada através da mitologia do Zede Etes e de Feltes, e definido a partir do espaço - procuramos espaços a princípio pouco conhecidos, procurando a sensação de realidade paralela que estes podem despertar (Joaquim Felizardo e Arquivo Público, por exemplo), e das possibilidades que este sugere, embora normalmente regido pelas condições gerais disponíveis. Outro tabulador eficiente no nosso processo é quanto dinheiro a gente pode gastar – embora muitas vezes a gente resolva simplesmente trabalhar em dobro pra compensar as limitações com equipe técnica ou recursos. Depois tudo vai sendo modificado, todo o tempo, até a última hora. Novas idéias vão sendo incorporadas à medida que surgem. Normalmente, quando passamos para a prática, tudo muda. E, quando está pronto, então é o momento de ser modificado. Ou seja, sempre acabamos colocando muito mais elementos, informações, gente, situações e equipamentos do que estava previsto (O Administrador era, originalmente uma performance de 20 minutos com uma projeção de vídeo e quatro atores em palco italiano ou equivalente, logo todo o resto não estava no projeto) e trabalhando exaustivamente para que isto dê certo, o que sofistica muito a possibilidade de erro desta equação.
Não há ensaios, apenas instruções. À moda do Clint Eastwood, tudo deve dar certo no primeiro take, isto é, a tensão é um elemento essencial para a execução, somada à maneira que o público vai reagir, outra imprevisibilidade. Logo, de modo geral, a primeira apresentação funciona como uma experiência onde são definidas todas as alterações a serem feitas na segunda (que, em geral, melhora substancialmente). Mas OK, e como foi o Administrador?

Mas OK, e como foi o Administrador?



Laura Cattani na performance O Administrador
Foto: Munir Klamt


O Administrador refletiu muito nossa metodologia de trabalho, pois mesmo com sessão dupla, quase sem intervalo entre uma e outra - fora o necessário para preparar novamente cenários, acessórios e figurinos - foram feitas modificações substanciais, fazendo com que a segunda sessão funcionasse de forma muito diferente da primeira, inclusive no que diz respeito à ambiência e clima geral, que na primeira foi mais divertido e, na segunda, mais sombrio.
É claro que, para nós, a sensação foi (como sempre) de que tudo foi um caos, quase nada saindo como previsto. É verdade que havia excesso de gente (acabaram entrando mais pessoas do que o limite estipulado), o que atrapalhava a mobilidade deste povaréu no espaço restrito dos corredores do Arquivo, e acabava comprometendo o ritmo geral, bem como das cenas. Já na segunda sessão, passada a adrenalina, foi possível perceber que tudo saiu tudo próximo do que estava previsto, tirante o FM (havia interferência demais no local). Mas, certamente, tudo será modificado. Em uma próxima temporada iremos levar mais adiante a possibilidade de percursos distintos para alguns dos participantes, de forma que fiquem sujeitos a perspectivas radicalmente diferentes do Administrador. E será provavelmente incluída uma cláusula de expulsabilidade, isto é, quem entra pode ser retirado ou imobilizado em qualquer momento da apresentação. O objetivo é que tudo passe a sensação de que todas as possibilidades estão em aberto, como a expectativa de uma criança entrando em uma casa mal assombrada. Todas estas alterações são parte do método de definição de um formato que ainda não sabemos ao certo qual é – porém sabemos que o próprio processo de busca do mesmo é extremamente divertido.

O Administrador - fotos ao vivo




Fotos de Jener

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Convergência. Io kéko?*

Samir Jaime fazendo laboratório para O Administrador se utilizando, para tal,
de um derivado líquido baseado na fermentação de trigo. Foto Laura Cattani.

Porque a Ío sempre trabalhou com um conceito de convergência, antes que a terminologia estivesse definida. Desde O Diabo Está Nu Atrás da Porta ou do projeto de graduação do Munir, Dieta para Lua (1993). O projeto O Estranho Equívoco de A. Hilzendeger Feltes é um excelente exemplo disto: a história que envolve o complexo Karma de Feltes e sua relação com o universo dos sonhos já foi abordada através de:
• Um musical multimídia chamadado Zede Etes (2005);
• Um site sobre o que é o Zede Etes;
• Uma exposição plástica chamada Zede Etes - O Estranho Equívoco de A. Hilzendeger Feltes;
• Uma performance se apropriando de espaços não tradicionais(no Museu Joaquim Felizardo e no Arquivo Público), chamada O Administrador (junto com uma vindoura exposição fotográfica sobre os personagens da performance no Arquivo Público);
• Um projeto de intervenção urbana xipófago a um mini-CD com sua respectiva trilha sonora, chamado O Administrador Apagado;
• Uma coletânea de vídeos chamada Máquina de Presságios;
• Outra exposição plástica – Autotélico – que é uma subdivisão da exposição Zede Etes - O Estranho... ;
• O mestrado e um mini A.R.G. do Munir cuja o tema versa sobre as excêntricas atividades de Ernesto Souza (vide Zede Etes segunda versão).
• Um site com informações sobre a vida de Feltes e sobre o projeto (maio 2009);
• A trilha sonora do Zede Etes (que é diferente do espetáculo, para 2010);
• Uma caixa de microcontos e fotos sobre Autotélico (Edição de 100 assinada pela Calíope);
... Além da terceira parte desta trilogia, constituída por um A.R.G.*
(Sendo a primeira parte o Zede Etes (2005) e a segunda O Estranho Equívoco... (2008-2009)).
E como diria o Pernalonga:
Por enquanto é só pessoal.


*Para as gerações estatisticamente mais distantes da morte (a não ser que o fim do calendário Maia seja pra valer) E u quéku (seja lá como se escreve) quer dizer mais ou menos:
“E eu com isto?”
* O post “O que diabos é um A.R.G.” vem em breve.

terça-feira, 31 de março de 2009

O que diabos é uma performance de convergência?

Terno de Tronco fragmento da Performance "O Administrador". No Museu Joaquim Felizardo
Fo
to: Laura Cattani


Na verdade, o termo convergência se aplica sobretudo ao projeto O Estranho Equívoco de A. Hilzendeger Feltes como um todo, mas vá lá, deu vontade colocar no material de divulgação. Mas o que diabos é uma performance de convergência? Convergência é a possibilidade de contar uma narrativa em vários tipos de veículos. Uma mesma história que se espraia no cinema, Tv, em fóruns de discussão e sites, celular, livros, videogame, figurinha de chiclé e por aí vai. Seja o que for, todas estas mídias são instrumentos para construir a história. Por exemplo, o seriado Lost usufruiu de várias plataformas para contar a história das desventuras dos bronzeados sofredores daquela ilha: começou por um seriado, havia um livro escrito por um suposto passageiro do vôo Oceanic 815, inclusive existe um site para esta companhia aérea fictícia, há um game sobre o seriado, episódios para celular, uma lostpedia onde informações sobre o seriado são organizadas, já existem capítulos feitos por fãs, e por toda a Internet há personagens e situações que excedem o seriado e aumentam a gama de informações sobre o mesmo.
Em resumo, convergência é considerar uma narrativa ficcional quase como um evento real, que como tal merece abordagens multifacetadas, isto é, destrinchar esta ficção em diversos suportes. Da mesma maneira que um evento real, como por exemplo a Segunda Guerra Mundial, se torna tema para uma infinidade de filmes, HQs, seriados, livros, documentários, lembranças, poemas, músicas e um monte de cadáveres, sendo que cada uma destas “mídias” de alguma forma representa um dos lados deste evento tão multifacetado, histórias ficcionais podem tomar o mesmo rumo, até com maior liberdade de mídias por não ter obrigações para com os fatos.
Pensando bem, convergência não é nada muito novo, mas é maneiro e não linear, o que permite a reconstrução da narrativa contada pelo espectador, que na verdade pode interferir e remodelar a narrativa com partes construídas por ele mesmo - desde comentários em blogues até versões
suecadas.

segunda-feira, 30 de março de 2009

O ADMINISTRADOR - Uma performance de Convergência

Márcio Silveira dos Santos
Foto: Munir Klamt e Laura Cattani


Onde acontecem nossos sonhos? De que matéria eles são feitos? Em uma rara ocasião, pessoas despertas são convidadas a conhecer a estrutura onde os sonhos são erguidos, seus bastidores, seus cenários e personagens, guiadas pelo Administrador do Zede Etes. Em duas noites, são explicadas claramente as falsas regras de um jogo, através de instruções precisas e algumas mentiras. Personagens estranhos, vídeo-projeções, ambientes e transmissões de FM edificam um universo que cerca aqueles que sonham, onde pessoas são lugares, objetos ou animais, realidades se decompõem, histórias sem sentido revelam segredos e portas levam a lugares esquecidos ou apagados. Mas um homem faz com que tudo isso seja perdido ao acordar. Ele é o Administrador.

Uma performance de Convergência do Grupo Ío

Com Márcio Silveira dos Santos, Munir Klamt, Samir Jaime, Laura e Iandra Cattani, Italo Cellamare, Paula e Luiza Santos

Dias 04 e 05 de abril (sábado e domingo) às 19h30

Local: Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul. Rua Riachuelo, 1031 – Centro

Entrada Franca

Atenção:
Distribuição de senhas a partir das 19h00.
É importante portar um aparelho que capte ondas de FM (rádio, mp3 player, ipod, walkman, celular, etc.).
Não é recomendado usar saias ou saltos.
Em caso de chuva forte o evento será cancelado.
É proibido alimentar os pesadelos.

zede.etes@gmail.com

Financiamento: FUMPROARTE
Apoio: APERS

sábado, 28 de março de 2009

Quem é o Administrador?

Foto: Munir Klamt e Laura Cattani

Administrador geral, responsável pela organização, manutenção e realização dos sonhos. É o único que sabe como os sonhos são feitos. É ubíquo – consegue dividir-se simultaneamente em vários personagens ou coisas. É também quem define o que será esquecido ou como será lembrado no dia seguinte. É o único que pode ser substituído apenas por si mesmo - pois, caso outra pessoa assuma sua função, esta gradualmente transforma-se, mesmo sem ter consciência disto, no Administrador anterior.

Autocrítica indispensável para quem venha a se tornar um Administrador.


Depois que o Kristof Kieslowski desencarnou (trocadilho infame correlacionado com a tira acima). Laerte* é o maior artista vivo (ponto final). No entanto, pensando bem...
.
.
Promoção. Clique em Laerte e ganhe atualização diária das tiras.

Cor Expressionista.

Foto: Munir Klamt e Laura Cattani

Esta imagem é uma versão que acabou não sendo utilizada no material gráfico da performance O Administrador. A cor escolhida faz referência ao curioso e esquecido fato de que os filmes Expressionistas Alemães da década de 20 não eram exatamente em preto e branco, mas de modo geral monocromos coloridos a partir de um processo de tingimento. Sépia, verde, vermelho e azul eram as cores mais frequentes, às vezes em todo o filme, outras vezes em partes marcantes (em algumas situações, eram pintados a mão, em poucas cópias). As cores também eram usadas em partes específicas, com objetivo e valor narrativo: azul para cenas noturnas, vermelho para elementos naturais como fogo e estados como amor ou paixão, púrpura para lugares luxuosos, etc. Com o tempo estas cores desapareciam pela ação química e o filme voltava a seu preto e branco, com o qual nos acostumamos.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Miasma. Grupo Ío. Casa/Corpo.

Foto: Fábio Del Re

quarta-feira, 25 de junho de 2008

O Administrador se despede


O Administrador do Zede Etes pensando em quem voltará.

Foto: Munir Klamt e Laura Cattani

quarta-feira, 18 de junho de 2008

CASA/CORPO

Laura e Munir em frente à videoinstalação "Quarta Parede" (Foto: Dione Veiga VIeira)


Visitem: CASA/CORPO

quinta-feira, 12 de junho de 2008

CASA/CORPO

Arte do Convite: Munir Klamt


Exposição CASA/CORPO na Galeria do DMAE

Artistas: Dione Veiga Vieira Klinger Carvalho
Laura Cattani e Munir Klamt (Grupo Ío)
Marcelo Gobatto
Gabriela Picoli e Luciano Zanette

Visitação: 10 de Junho a 02 de julho de 2008

Local: Galeria de Arte do DMAE Rua 24 de Outubro, 200

Conversa com os artistas: 26 de junho (quinta-feira), às 19h.

CEP 90510-000 Porto Alegre / RS
(51) 3289 9722
http://www.dmae.rs.gov.br/
http://www.dmaegaleriadearte.blogspot.com/
galeriadearte@dmae.prefpoa.com.br

CASA/CORPO – Uma Engrenagem Simbólica As simbologias da casa engendram uma poética instigante em torno do corpo e têm sido uma constante na produção da arte contemporânea. Seja através de elementos imprescindíveis em um lar, seja pelo aspecto da arquitetura interna e externa, a casa sempre repercute a dimensão humana em seus contextos político-sociais e assim, conseqüentemente reflete o próprio corpo. Porém, não mais limitado em si mesmo. CASA/CORPO é o desdobramento de uma exposição anterior – Casa Fechada – realizada no início deste ano por um grupo de artistas que utilizaram a imagem da casa como metáfora do corpo. Dione Veiga Vieira, Klinger Carvalho, Laura Cattani e Munir Klamt (Grupo-Ío), Marcelo Gobatto, Gabriela Picoli e Luciano Zanette voltam a apresentar diferentes abordagens sobre o tema através do uso de diversas linguagens e meios de expressão visual. O resultado é um panorama de obras que apontam para além do próprio corpo, e se expandem nas relações propostas entre corpo individual & corpo coletivo; simbolicamente, entre casa & corpo.
Mais informações: http://casacorpo.blogspot.com/
(textos por Dione Veiga Vieira)

quarta-feira, 4 de junho de 2008

O ADMINISTRADOR

Foto: Munir Klamt e Laura Cattani


O Estranho Equívoco de A. Hilzendeger Feltes – Segunda parte
O ADMINISTRADOR

O Administrador é uma performance multimídia que envolve vídeo-projeções, textos pré-gravados, ambientes, personagens estranhos e transmissões de FM, criando um clima onírico com o qual o público poderá interagir e ter percursos narrativos diferentes e individuais, como em um jogo. Nesta incursão ao universo dos sonhos, guiada pelo Administrador do Zede Etes, todas as noites uma equipe de atores, lugares, delicados pesadelos e desejos secretos é dirigida por ele. Nesta rara ocasião, através de instruções precisas e algumas mentiras, pessoas despertas poderão conhecer parte deste processo

Com: Márcio Silveira dos Santos, Munir Klamt, Laura e Iandra Cattani, Samir Jaime, Paulo Roberto dos Santos, Ítalo Cellamare, Paula e Luiza Santos
Local: Museu Joaquim Felizardo - Rua João Alfredo, 582, Cidade Baixa.
Datas: 7, 14, 21 e 28 de junho (sábados) às 17h15
ENTRADA FRANCA
É importante portar um aparelho que capte transmissões FM (rádio, mp3 player, ipod, walkman, celular, etc.)
É proibido alimentar os pesadelos.
Dúvidas, informações e reservas: zede.etes@gmail.com
Saiba mais sobre o Zede Etes em:http://www.grupo-io.com/


------------ Em caso de mau tempo o evento será cancelado ------------
Veja como chegar lá

ZEDE ETES


O Administrador
Foto: Munir Klamt e Laura Cattani

De que matéria são feitos nossos sonhos? Onde eles acontecem? O Zede Etes é um lugar onde pessoas são ruas ou montanhas, carros ou animais e surgem e desaparecem do chão. Onde histórias sem sentido revelam segredos, onde o futuro é contado de maneira mentirosa e onde portas levam a lugares perdidos ou esquecidos. Neste lugar são explicadas claramente as falsas regras de um jogo. Mas um homem faz com que tudo isso seja esquecido ao acordar. É possível e extremamente prazeroso ter sonhos lúcidos, mas há um homem que impede que isto aconteça. Alguém que decide o que vamos sonhar, que determina nossos atos, que constrói um mundo ao nosso redor. Alguém que fala conosco dentro de nossos sonhos, que brinca com nossos medos, que esconde segredos à nossa frente. Este homem que não existe se chama o Administrador.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Barroco I(r)ônico

Roupa para se transformar em Monstro
Foto: Laura Cattani

É normalmente difícil, para quem faz uma obra artística contemporânea, definir, quando lhe é perguntado por terceiros, à qual filiação estética a mesma pertence. Se, por um lado, temos ismos e definições escolásticas que competem, na quantidade, com as classificações dos coleópteros, nos municiando de possibilidades classificatórias, por outro lado os mesmos podem não representar a realidade que se busca expressar. Além disso, em um período de Tags e leitura rápida, a informação deve ser sucinta, clara e didática. Logo, fazer a Taxonomia estética de si mesmo é uma tarefa inglória e com forte inclinação para o equívoco – e, conseqüentemente, com alguma possibilidade intrínseca de diversão. A primeira tentativa classificatória que faremos dos trabalhos do Grupo Ío nos fará retornar 2.500 anos e recorrer ao sentido literal (em grego) da palavra ironia, que é algo como “narração incompleta”, “exposição atenuada ou incompleta de uma ocorrência”. Devemos então saltar de volta ao presente e acrescentar o significado contemporâneo da palavra ironia, já que de modo geral os trabalhos da Ío têm um insuspeito e incompreendido humor. Em seguida, retornar 500 anos (ou avançar 2.000, dependendo da perspectiva) e apropriar-nos do Barroco (desconsiderando o oba-oba da Contra-Reforma) e sua idéia de luxúria formal e o gosto pelas curvas, luzes e sombras. Somamos a vontade de agregar citações veladas a isto como uma forma compulsiva de prazer. Ao final, teríamos algo como “Barroco Citacionista Irônico” - o que parece um oxímoro plenamente aceitável.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Uma Paisagem de Sonhos, por Dione Veiga Vieira

Ninfas e Sátiro, de William-Adolphe Bouguereau

Dione* é a deusa das ninfas. Filha de Urano e de Tálassa, ela foi amada por Zeus (tal qual nossa cordata Io), de quem teve Afrodite, a deusa do amor, da sedução e da beleza (filha para orgulhar qualquer mãe). As ninfas são membros de uma grande categoria de deusas-espíritos naturais femininos, às vezes ligadas a um local ou objeto particular. São frequentemente alvo da luxúria dos sátiros. Espíritos da natureza, as ninfas são divindades que, em todo o mundo Helênico, inspiravam grande devoção e homenagens, e mesmo temor. Logo, estamos muito honrados com o texto “Zede Etes - Uma Paisagem De Sonhos”, de autoria de Dione Veiga Vieira, sobre a exposição Zede Etes - O Estranho Equívoco de A. Hilzendeger Feltes.

* Ío é uma lua de Júpiter, e Dione uma lua de Saturno.

Io (primeira versão)

Zeus, em forma de nuvem, abraça Io, de Antonio da Correggio.

Io (pronuncia-se ÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍo) foi uma das paixões de Zeus. Ela era filha do deus-rio Ínaco, que por sua vez era filho de Oceanus e Tétis. Sua beleza despertou a paixão de Zeus, que, para cortejá-la, cobriu o mundo com um manto de nuvens escuras, escondendo seus atos da visão de Hera. A estratégia falhou e a deusa, desconfiada, desceu do monte Olimpo para averiguar o que estava acontecendo. Numa vã tentativa de iludir sua esposa ciumenta, o deus transformou sua amante em uma belíssima novilha branca (tirando o eufemismo educado, uma vaca). Intrigada pelo interesse do marido no animal e maravilhada com a beleza do mesmo, Hera exigiu a novilha para si e a pôs sob a guarda do gigante Argos Panoptes. Argos, quando dormia, mantinha abertos cinquenta de seus cem olhos. Zeus encarregou Hermes de libertar sua amada. Para tanto, o mensageiro dos deuses, usando a flauta de Pã, pôs para dormir os olhos despertos de Argos, enquanto os outros cinquenta dormiam um sono natural, e cortou sua cabeça. Io fugiu, mas continuou sendo atormentada por Hera. O mar cujas praias percorreu recebeu o nome de Mar Iônio. Ao chegar ao monte Cáucaso, encontrou Prometeu acorrentado em uma rocha. O titã lhe disse que, ao alcançar o Egito, ela seria restaurada à sua forma humana por Zeus e teria um filho. A criança seria a primeira de uma linhagem que culminaria com Hércules, que acabaria por libertar o próprio Prometeu. Ao chegar às margens do Nilo Ío, cansada de tanto sofrimento, implorou a Zeus por um fim. O deus, comovido, foi falar com Hera e ambos restauraram Io à sua forma humana. Ela teve um filho, Épafo, e reinou sobre o Egito, sob o nome de Ísis e casada com Telégono. O mito de Io pode ser interpretado como uma alegoria lunar, na qual a fuga da novilha representaria o movimento da Lua e os olhos de Argos, o céu estrelado. (Fonte: wikipedia)

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Encerramento: Sexta-Feira, dia 9

"Um tratado onírico; o porão do IO", por Jones

Foto de Jones (criação livre com material pessoal e material de divulgação do Zete Etes)

É sempre muito gratificante ter retorno em relação às obras, pois isso é um dos materiais com os quais trabalhamos: visões, sentimentos, interpretações. E é muito bom ter a visão de olhos não conectados ao nosso cérebro. Neste texto, Jones faz uma análise ao mesmo tempo pessoal, profunda e instigante, que traduz muito dos sentimentos que tentamos explorar.

Leia em: http://jonespoa.blogspot.com/

Josefina e Carolina Egon Feltes


Agradecemos à Senhora Galina Ivanova Dias pela foto de Josefina e Carolina Egon Feltes.


As filhas gêmeas de A. Hilzendeger Feltes morreram em 1927, durante um surto tardio de uma variante da gripe Espanhola. A foto acima é, provavelmente, o único registro das meninas que restou. No espetáculo Zede Etes (2005) as irmãs Iandra e Laura Cattani (que, apesar de não serem gêmeas confundem, normalmente, os transeuntes e amigos) faziam pequenos truques de espacialidade, como se fosse a mesma pessoa desaparecendo e surgindo em pontos diferentes do palco (idéia semelhante foi usada pelo excelente filme “O Grande Truque” (The Prestige), de 2006, de Christopher Nolan). As duas executavam o papel de filhas, hipoteticamente adultas, de Feltes. O figurino destas personagens era inspirado em roupas desenhadas por Gustav Klint (e não se fala mais nesse assunto, prometemos).

sábado, 3 de maio de 2008

Secessão Vienense



O alegre post anterior (Munir Klamt diz: -Klimt!) é uma pequena introdução sobre a obra de Gustav Klimt, basicamente para falar do movimento de renovação nas artes vienenses do qual ele participava, chamado Secessão Vienense (e olha que Viena era um marasmo naquela época: Freud, Arnold Schönberg, Robert Musil, Adolf Loos...). Tal qual o Arts & Crafts inglês, este grupo buscava romper com as tradições locais (como sempre) e criar uma definição mais ampla para a arte, com a inclusão de artes aplicadas (leia-se: arquitetura, artes gráficas em geral, indumentária e, claro, pintura e congêneres). A Secessão Vienense influenciou o Art Nouveaue o Jungendstil, o que não é pouca bobagem. A pintura acima chama-se Helene Klimt e o vestido que a menina usa foi criado, óbvio, por Klimt.

Paula e Luiza à la Klimt

Paula e Luiza Santos durante as gravações de "3 versões".
Figurinos roubados da Maison Gustav Klimt
Foto de Laura Cattani

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Munir Klamt Diz: - Klimt!

Medicina (Destruído em 1945),
Obviamente, um quadro de Klimt

Ok, Gustav Klimt é sexy. Em suas pinturas, as mulheres vivem em êxtase sensual. No entanto, os homens figuram nos seus quadros como dois de paus (o duplo sentido é opcional): inexpressivos, principalmente se comparados às mulheres. Na cosmogamia Klimtiniana, eles tiveram função ao livrar a espécie humana das feras, construir uma sociedade através de virulentos conflitos, inventar a arma de repetição e o veículo automotor, e pára por aí. E o preço disto é que o deleite não lhes é oferecido, este é feminino. Enfim, os homens são algo como o cóccix; isto é, obsoletos, mas mesmo assim todo mundo nasce com um. Esta introdução abundante de misandria é para lembrar um fato que, de modo geral, não é tão perceptível: que o parceiro das mulheres de Klimt não é o sexo viril, os caras da progesterona, mas sim a morte e a deterioração (exemplos ilustrativos 1, 2, 3, 4).Tânatos(morte) e Eros, o Yang e Yin da cultura ocidental.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Boa segunda-feira





Fotos Laura Cattani

Últimos dias!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Sessão Extra (Versão Social)





Fotos Anelise Camargo Garcia


terça-feira, 22 de abril de 2008

Ponto Cego

Por favor, tape o olho direito e aproxime-se da tela,
olhando fixamente para o ponto branco à direita.

Ainda sobre o mesmo assunto do post anterior: veja acima esta mistura de construtivismo e defeito de fabricação (o que pode ser dito de toda Op-art, sem demérito algum). Se possível entre no link para entender melhor a função social da figura. O conceito de ponto cego, a idéia de que algo está à sua frente, próximo e claro e, ainda assim invisível, (se isto for pensado metaforicamente, melhor ainda), é fascinante.

Cérbero* e a Enxaqueca

Nosso cérebro, assim como nossa coluna vertebral, é um dispositivo ainda em evolução - com algumas pequenas falhas, inerentes a todo desenvolvimento de sistema. Amplie a imagem abaixo para ver um pequeno bug deste seu vaidoso órgão. O relevante, em se tratando de artes visuais, é que os seus olhos (instrumento de xeretagem do cérebro) não são confiáveis. Não vamos ser sentimentais por causa disto, e considerar que emoção é o que conta, etc e tal. O que nos resta nesta equação é... (dançar um tango argentino? Pneumotórax? 4:33 de Cage?)


Amplie a imagem e olhe atentamente, por favor.
A. Hilzendeger Feltes
Fonte: My Optical Illusion

*Está escrito corretamente, não estamos nos referindo ao cérebro e sim a cérbero
E não, a imagem não se move, é apenas uma falha de comunicação entre seus olhos e seu cérebro, estes danadinhos.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Viking Eggeling

Um dos fantásticos filmes da UFA (Universum Film Aktiengesellchaft) que fizeram parte da programação do Metropolitano. A trilha é contemporânea, mas é um dos raros casos que funciona.

video

Demônio Pessoal

Na primeira apresentação do SAÍA DE EMERGÊNCIA foi executada pela única vez uma música chamada Demônio Pessoal. O demônio a que a música se refere é uma pequena criatura que, dia a dia, nos fala baixíssimo, sussurrando em nosso ouvido. Algo como a spikeleeana “faça a coisa certa”. Ele não nos julga ou tem valoração moral de nossos atos, apenas gosta de nós como nós gostamos do mar à noite ou de animais selvagens – ou seja, de algo que é, simultaneamente, simples e incompreensível. No final de tudo, ele ainda espera alguns dias enquanto nosso corpo vira playground de vermes. Nossa única obrigação para com ele é fazer um esforço gigantesco para ouvi-lo. Antes que sejamos acusados de Satanistas e associados aos seguidores do Iron Maiden, vamos esclarecer que, toda vez que falamos em demônio, estamos falando daquele cavaleiro que ajudou Eva e Adão a tomar consciência de sua mortalidade, e, para o bem ou para o mal, ajudou-os na fuga do paraíso. É bom sempre lembrar que a imagem clássica do demônio está associada, à uma forte mídia negativa feita pelo cristianismo em relação às entidades pagãs como o Fauno romano ou o Pan grego, ou ainda o Cernunnos Celta, criaturas estas vinculada à ordem da natureza. O nosso Demônio Pessoal é, na verdade, nossa gíria para auto-consciência.
Munir como seu Demônio Pessoal
Foto: Laura Cattani


Aforismos: Kafka, Franz


1
O caminho verdadeiro segue por sobre uma corda, que não está esticada no alto, mas se estende quase rente ao chão. Parece mais determinado a fazer tropeçar, do que a ser transitável..

5
A partir de um certo ponto não há mais retorno. Esse é o ponto que deve ser alcançado.
50
O homem não pode viver sem uma permanente confiança na existência de algo indestrutível dentro de si. Tanto a indestrutibilidade quanto a confiança funcionam como um abrigo permanente. Um modo de expressão desse estar abrigado é a crença em um Deus pessoal.

A. Hilzendeger Feltes (Parte 3)

Desenho de A. Hilzendeger Feltes que serve de
inspiração para a instalação Miasmas na exposição
Zede Etes- O Estranho Equívoco, etc, etc.

Os anos do Cine-Theatro Metropolitano fazem surgir um A. Hilzendeger Feltes diferente do homem que havia até então. A estabilidade financeira, associada à realização do seu sonho na América e sua felicidade matrimonial, bem como a alegria pela chegada de suas filhas, fazem aflorar o personagem que Feltes havia criado, inconscientemente, para administrar o Metropolitano. Nem a morte de um de seus irmãos, Karl Hilzendeger Feltes, na Primeira Guerra Mundial, abala seus novos projetos. Fascinado com o cinema expressionista, Feltes começa a escrever histórias, pequenos roteiros ou aforismas que misturavam fábulas germânicas, Franz Kafka, simbolismo e o próprio Expressionismo. Desenha criaturas fantásticas em um compêndio próximo a um bestiário. Mantém correspondência com o irmão, seus amigos e alguns artistas europeus como Viking Eggeling, cineasta da UFA, e o desenhista e cenarista Franz Grünwald (irmão do pintor dadaísta Johannes Theodor Baargeld). Todas estas mudanças criam um homem criativo, que produz intensamente e participa ativamente dos arranjos musicais dos filmes, em parceria com o Professor Costa Dourado, da organização da programação cinematográfica e nas apresentações musicais. Feltes vive intensamente o dia-a-dia do Metropolitano. Seus trabalhos, pelo seu caráter privado e modernista para a Porto Alegre de então, não tiveram repercussão na época. Foi só à partir da década de 60, através de um processo de revisão, que seus trabalhos ganharam a respectiva atenção, apesar de dentro de um circulo mais restrito e acadêmico e tornaram-se públicos.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Autochoque e o Estoicismo


Uma das intenções do projeto Autochoque (veja o post de primeiro de abril) é falar sobre acidentes automobilísticos de uma forma estética, analítica e fria, o cerne sendo a consciência de que tragédias automobilísticas são um grave problema de nosso tempo, mas que no futuro serão consideradas uma das excentricidades da humanidade nos séculos XX e XXI - da mesma maneira que vemos os sanguinolentos rituais astecas, as cruzadas dos meninos de 1212 ou a crença no Mar Tenebroso como algo absurdo, beirando o incompreensível. Abaixo, exemplo cabal de estoicismo em relação aos costumes anacrônicos de seu tempo:


video

Musa do Autochoque

Santa Apolônia e um zangão ousado.

Obra destruída por intervenção da Calíope no Zangão

No anteriormente citado salão 10x10, entre os trabalhos que não foram selecionados, estava o zoofílico “Retorno Fatal ao Figurativo”*, uma assemblage entre Santa Apolônia e um Zangão. A crença pseudo-cientifica afirma, categoricamente, que os zangões não voam. Aerodinamicamente falando. E os crentes na ausência de Deus (ateus), que santos não existem. Logo, dependendo do ponto de vista, tratava-se de um trabalho minimalista sobre o nada.

Aos que estão desesperados para saber mais sobre esta fascinante Santa Apolônia, afoguem-se em sua curiosidade abaixo.

Santa Apolônia foi (e é) uma Mártir Cristã no ano 246, criada na Alexandria durante o reinado do Imperador Philip I, o Árabe (244-249) e Trajanus Decius (249-251), período em que multidões furiosas, na Alexandria e Egito, saíam às ruas à caça de cristãos (um esporte muito em voga na época). Apolônia, uma Diácona, foi apanhada pelo populacho e, como ela se recusava a renunciar a Jesus e a sua fé, foi cruelmente torturada. Seus dentes foram arrancados com uma torquês, quebraram seus maxilares e levaram-na a uma pira, onde veio a morrer queimada. Abaixo, a descrição de um transeunte no tempo e espaço:

"Eles amarraram esta preciosa virgem, quebraram todos os seus dentes com socos nos maxilares, fizeram uma fogueira e ameaçaram queimá-la viva, mas ela continuava recusando a recitar as blasfêmias que eles queriam que ela recitasse (provavelmente mesmo que ela quisesse recitar qualquer coisa, não sairia). Então, de repente, ela mesma entrou na pira e foi logo envolvida de um fogo do "Espírito Santo", pois de lá de dentro ela nos olhava com o rosto de uma cristã sem nenhum medo.”.

Os anais de seu martírio contêm outras crueldades, mas, na liturgia católica, ela é representada segurando a pinça usada em seus dentes, tendo-se tornado a padroeira oficial dos dentistas e sendo invocada contra a dor de dente. Pra quem acha os X-men grande coisa, recomendo a leitura da vida dos santos e mártires da cristandade (aquilo que era mutante!).


* O título, para quem não perde tempo com as mumunhas das artes, refere-se a um hipotético zangão que, depois de uma longa fase abstrata, retorna à figuração, desenha uma santa, e morre (romanticamente, tipo século XIX) apaixonado pela mesma.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

A. Hilzendeger Feltes (Parte 2)

Foto de rua próxima à Confeitaria Real,
de propriedade de Feltes, no final do século XIX.


O Cine-Theatro Metropolitano foi a realização de um sonho de juventude de Feltes. Cada detalhe de sua construção, em estilo jungendstil - que destoava dos tradicionais prédios neoclássicos da cidade, foi cuidadosamente administrada por Feltes. O Cine-Teatro é bem mais que um lugar ou uma atividade comercial, ele é, como Feltes deixa claro em suas correspondências para seus irmãos, uma parte dele mesmo. O homem pragmático e diplomático que administrava rigorosamente a Confeitaria Real, a construção do Metropolitano e os empréstimos bancários, vai dando espaço a um outro homem, que é seduzido pelo seu Cine-Theatro, pela possibilidade de ser dono de uma “sala da arte do silêncio”, nome pelo qual eram chamadas as salas que exibiam os filmes mudos. O Cine-Theatro Metropolitano é inaugurado no dia 16 de dezembro de 1916, no bairro floresta (distante do local dos tradicionais cinemas da cidade), com a orquestra do professor Costa Dourado (nos sábados os filmes eram acompanhados de uma pequena orquestra e, durante a semana, apenas ao piano). O elegante Cine-Theatro, com sua sala de espera com cafeteria (a primeira da cidade em um cinema), arrojada arquitetura e diversificada programação de filmes e atrações musicais seduziu a cidade. Grande parte do sucesso do Metropolitano advinha da relação estabelecida entre Feltes, através de seus irmãos, e a UFA (abreviação de Universum Film Aktiengesellchaft), o maior estúdio alemão no período. O auge do expressionismo alemão e as epopéias populares históricas, como “Madame Dubarry”, de Ernest Lubitsch, foram os principais personagens da fama do Metropolitano. No mesmo ano da inauguração do Metropolitano, nascem as gêmeas Josefina e Carolina Egon Feltes.

Foto gentilmente cedida pelo Museu Hipólito José da Costa

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Winsor McCay



A cama, que é espaço para auto-esquecimento (sono profundo), ação introspectiva (sonho REM) e ação (leia-se fuque-fuque), é também o mote para um dos maiores clássico instantâneos da historia da arte: Little Nemo in Slumberland (surgido em 1905). Quando Winsor McCay (1869-1934) começou a publicar no New York Herald, este cavalheiro não só transformou um formato que ainda engatinhava, o dos quadrinhos, no que ele seria até agora (103 anos depois), como soube explorá-lo como ninguém. A densidade das historias, a ocupação gráfica da folha, seu clima lírico opressivo, o esplendoroso traço e o frescor surrealista das aventuras (lembrando que faltavam 20 anos para existir o surrealismo), tudo conspirava para transformar Little Nemo em um dos mais prazerosos vícios conhecidos.

Saquem seus cartões de crédito:
http://www.amazon.com/Little-Nemo-1905-1914-Winsor-McCay/dp/3822863009
http://www.amazon.com/Best-Little-Nemo-Slumber-Land/dp/1556706472

Winsor Beuys


O post acima é uma referência à homenagem que prestamos ao Little Nemo de McCay em ZEDE ETES - O Estranho Equívoco de A. Hilzendeger Feltes. Na verdade, a homenagem é na linha Marvel “o que aconteceria se...” Winsor McCay se transformasse em Joseph Beuys.

Foto: Laura Cattani

Mas quem diabos é A. Hilzendeger Feltes? (Parte 1)


Foto feita pelo retratista Otto Schönwald

Em 1907, aos 21 anos, o Sr. A. Hilzendeger Feltes, se estabelece em porto alegre, vindo de Berlin, na Alemanha, para tentar uma nova vida no Brasil. Depois de um difícil começo, a Confeitaria Real, aberta por Feltes, prospera, deixando-o em condições de trazer sua esposa Anna Egon Feltes no ano de 1912. Neste período, o Sr. Feltes se integra à comunidade alemã local e torna-se um bem relacionado homem de negócios. Seu interesse por cultura, no entanto, o leva a ambicionar um empreendimento no qual ele acreditava que teria mais satisfação pessoal. Ele se mantém atualizado sobre pintura, literatura e cinema na Europa, através de intensa correspondência com seus irmãos, Karl e Reinhard, enquanto almeja a criação de um Cine-Teatro, prospera atividade comercial e social na provinciana Porto Alegre da década de 10. Sua amizade com os irmãos Petrelli e Hirtz, proprietários de diversos cinemas na cidade, são o suporte para o nascimento do Cine-Theatro Metropolitano.

terça-feira, 8 de abril de 2008

10 cm²


Quimera Predatória 1 - Foto: Laura Cattani


A megalomania modesta (oxímoro?) é um dos infinitos defeitos dos quais o Grupo Ío padece. Apesar de consciente deste e de tantos outros, não necessariamente conseguimos mudá-los. Logo, independentemente da complexidade e do envolvimento necessário para viabilizar, realizar e produzi-los com os recursos disponíveis, os projetos são sempre intrincados, com inúmeros desdobramentos. Por isto, a participação no Salão 10x10 (medida em centímetros), da Fundarte, foi extremamente divertida. E, como diria o Oswald, alegria é a prova dos noves. Acima e abaixo, os minúsculos filhos.


Vigília Mecânica - Foto: Munir Klamt

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Luas de Urano

Calíope - Com seus globos oculares em constante mutabilidade ou evolação (verbo evolar), já teve em seu olho direito desenhos que lembravam uma galáxia espiralada. Foto: Laura Cattani


Luas de Urano (Episódios 1-14) é uma peça sobre uma das Luas de Urano (óbvio). A lua em que se desenvolve a narrativa em questão chama- se Miranda, que é filha de Próspero da peça A Tempestade de Shakespeare (cada lua de Urano tem o nome de um personagem feminino de Shakespeare). Esta peça faz parte do que, informalmente, chamamos de Trilogia Negra.
A primeira parte é sobre Miranda + mixomatose (doença altamente contagiosa em coelhos) + Fibonatti (e a relação áurea da reprodução dos Coelhos) + 184C°negativos + condicionamento pavloviano + toxoplamose e acidentes automobilísticos + café... e por aí vai.
A segunda parte se chama 40 dias e é sobre os soldados Romanos e a consciência de ter feito um grande equívoco ao crucificar Jesus (ou não).
A terceira, chamada Ponto Cego, é sobre a fisiologia dos olhos e episódios que envolvem a cegueira. A musa inspiradora desta trilogia é Calíope, nossa gata (Calíope é o nome da musa inspiradora da poesia épica na mitologia grega).


Arena, Bibiana Coronel


Em uma apresentação do SAÍDA DE EMERGÊNCIA, dentro de uma tentativa frustrada de coletivo que se chamava Teratonia (2004), em parceria com Club d’Essai e Sons Transgênicos (a esta tentativa somou-se posteriormente Temper Faktor e Pan&tone - a idéia era unir grupos que tivessem afinidades estéticas e outras semelhanças para criar uma “cena”) Bibiana Arena Coronel fez uma apresentação vigorosa de sua dança de impacto. A curiosidade mórbida do fato é que, no período, a moçoila apresentava-se no Hospital Psiquiátrico São Pedro em uma peça com texto de Hilda Hilst. O cenário acidentado do local, somado a um tombo espetacular, proporcionou a B.A. Coronel algo mais do que um hematoma na coxa. Quem é dado à mitologia grega poderia ser persuadido a se lembrar da história da gestação de Dionísio na coxa de Zeus, porque era o que parecia o inchaço. Doía só de olhar, ela dançando e se jogando contra as paredes era só um adendo masoquista (ou de ética de trabalho, como preferirem). Estamos trabalhando para reintegrar a Bibiana à cidade (ela cumpre pena de estudos em Berlin) com um projeto chamado Luas de Urano (Episódios 1-14).

sábado, 5 de abril de 2008

Sobre a exposição (ZH, 03/04/2008):

Foto: Anelise Garcia

Clima de sonho
"Zede Etes" começa hoje

Na Porto Alegre do início do século 20, o imigrante alemão A. Hilzendeger Feltes é o bem-sucedido proprietário de uma confeitaria e de um cine-teatro no qual se orgulha de exibir filmes expressionistas. Até que sua vida cai em desgraça.Feltes perde mulher e filhos para a Gripe Espanhola, tem um irmão caçado pelos nazistas, fecha o cinema. No letreiro despencado, sobram - do nome do proprietário - apenas as letras ZE_DE_E_TES. Os vizinhos passam a acreditar que, lá, se projetam sonhos e pesadelos.Essa história, com tudo o que há nela de real e ficção, dá o mote para a exposição Zede Etes - O Estranho Equívoco de A. Hilzendeger Feltes, que será inaugurada hoje à noite no porão do Paço Municipal, a chamada Prefeitura Velha, no Centro. Os autores - os artistas plásticos Laura Cattani e Munir Klamt, que se apresentam como Grupo Ío - fazem questão de manter a dúvida sobre o que, ali, é invenção. Também não pretendem esmiuçar essa história para os visitantes.- Sempre deixamos uma margem aberta - sublinha Laura. Na prática, o que o visitante vai encontrar é um clima múltiplo - e carregado. Há ruídos, luzes, vídeos e objetos estranhos. O clima tende ao mistério, flerta com o horror.Para quem quiser acompanhar melhor as desventuras do alemão Feltes, há um site oficial no qual se conta seu drama - www.grupo-io.com - e no qual se pede aos leitores que contem sonhos. Um deles pode entrar na próxima exposição.
ZEDE ETES
Exposição do Grupo Ío
Porão do Paço Municipal (Praça Montevidéu, 10), fone (51) 156
Abertura: hoje, às 19h. Visitação até 2 de maio, de segundas a sextas, das 9h às 12h e das 14h às 18h. Entrada franca.
O Grupo Ío, formado pelos artistas plásticos Laura Cattani e Munir Klamt, recorre a várias linguagens - vídeos, projeções, sons, fotografias e objetos - para recriar o universo onírico e sentimental de um homem marcado pela tragédia.
Site:
www.grupo-io.com
Preste atenção - No clima de sonho e medo que pretende arquitetar, o Grupo Ío incorpora os ruídos da tubulação de ar-condicionado que percorre o porão do Paço.
Dica ZH - Só pelo lugar, já vale a visita à exposição Zede Etes. O porão do Paço Municipal, a chamada Prefeitura Velha, é um espaço ainda pouco conhecido, mas muito impressionante, com suas paredes em arco, tetos rebaixados, vãos e recintos. O prédio é de 1901 e foi tombado pelo patrimônio histórico municipal em 1979. O porão foi recuperado na reforma de 2003.



Link da matéria:

Primeiro de Abril

Laura Cattani e Crosa com seus circuit bends. Foto: Munir Klamt

No dia 1 de abril de 2004, o Grupo Ío fazia sua estréia com uma apresentação do espetáculo SAÍDA DE EMERGENCIA no Instituto Goethe.
Durante o processo de desenvolvimento do espetáculo ZEDE ETES (pronuncia-se Zêde Étes), e em parte influenciado por suas dificuldades de realização, surge o SAÍDA DE EMERGENCIA, que é um espetáculo homeopaticamente claustrofóbico, fortemente musical, com dança e vídeos. A formação desta apresentação era, além de Laura Cattani e Munir Klamt, Guilherme Klamt, Fabrício Prado, Bibiana Arena Coronel e Desirée Marantes como convidados. A temporada seguinte do SAÍDA DE EMERGENCIA (2006) contou com Carlos Bica e Crosa. Sua formação atual inclui Tiago Neumam e Nando Barth. O SAÍDA DE EMERGENCIA gerou um gêmeo isquiópago, o espetáculo Autochoque, que versa sobre acidentes de veículos automotores, suas ondas de choque e, claro, humor negro.

domingo, 30 de março de 2008

Montanha com Rodas

Laura Cattani como a personagem de Montanha com Rodas, no espetáculo Zede Etes
Foto: Munir Klamt

Quando eu tinha um ano e uns acréscimos, eu estava dormindo tranqüilamente no conforto de minha cama quando fui levado para um trem (Porto Alegre-Ijuí). Eu só acordei com o movimento do trem dando a partida. Apavorado, (racionalmente pensando: casas só andam com deslizamentos, inundações, choques de caminhões ou deslocamento de placas tectônicas) eu afirmei para minha mãe:
A casa tá andando!
Por anos, o conceito de uma casa que andasse me fascinou (meu pai comprou um trailer logo depois). Eu representava graficamente esta idéia através de uma montanha com rodas e passageiros em seu conteúdo. Algo como um bunker móvel. Em 2005, no espetáculo Zede Etes, uma das partes apresentava uma montanha com rodas (vide foto). E, na quarta parte d`O Estranho Equívoco de A. Hilzendeger Feltes, chamada Máquina de Presságios, há um vídeo sobre o assunto. Porém todo este comentário é apenas para fazer uma homenagem póstuma.
Na música da tal Montanha com Rodas era usado um sampler de quatro ou cinco notas de Hans Otte, recentemente falecido. Ouça Das Buch der Klange, disco usado no sampler (tem no emule).

Outro Disco:

quinta-feira, 27 de março de 2008

Em arte, tudo é processo.

Duchamp como grande Satã com espuma na cabeça e cãs.


Em 1971, Gerald Mayo entrou com um processo no tribunal regional da Pensilvânia contra Satã e seus asseclas, afirmando que ele tinha colocado obstáculos de grande monta em seu caminho, que causaram sua decadência. Em 3 de Dezembro, a reclamação de Mayo foi negada, sob a alegação que o acusado não residia na Pensilvânia.



Mais Marimbondos

Lendo sobre marimbondos, em um guia rural, iluminei minha infinita ignorância* sobre seus hábitos alimentares. Os mesmos são predadores de formigas, aranhas e cupins (logo, suponho que a ocupação da cachopa citada no post anterior seja uma forma de ironia das formigas). Na exposição ZEDE ETES - O Estranho Equívoco de A. Hilzendeger Feltes (nome com pendores a capítulos de “Cândido” de Voltaire) há um trabalho com o nome de “O Diabo Está Nu Atrás Da Porta” este trabalho pode ser chamado de um ready-made modificado animal (o “nu” do titulo é uma brincadeira com “Nu Descendo Escada” de M. Duchamp). Cupins consumiram o miolo de uma porta até que surgisse a imagem de um demônio, visível quando incide luz por trás da mesma. Em uma citação de iconografia medieval (acho que é isto que é o mundo pós-moderno), os cupins nos brindam de forma sarcástica com uma imagem dos nossos mais profundo temores ou (como dizem os céticos) é apenas coincidência. .


*Cito aqui Blixa Bargeld dos Einstürzende Neubauten para quem só há duas coisas infinitas o espaço e a ignorância (nunca entendi se ignorância em relação a conhecer todas as coisas ou ignorância como qualidade humana com vetor negativo mais presente na história)

terça-feira, 25 de março de 2008

Convívio Social

Foto: Anelise Garcia

Um elemento que compõe uma das obras da exposição é uma respeitável cachopa de marimbondos, que foi encontrada em uma casa secular desocupada no interior de Garibaldi (vide foto). Ao tirarmos, com a devida apreensão, a cachopa da sua posição original, ela estava tomada por formigas em uma busca de remanejamento residencial. A imagem e o som daquela profusão de insetos em movimento nos causou aquele fascínio que enxames causam em nós, criaturas teoricamente individuais. Um tipo brando de Formicofilia. Imediatamente as amigas sinapses remeteram-nos à mão com um furo tomada de formigas do Cão Andaluz, de Buñuel (3:48).

video

Porém, apesar do fascínio, é importante lembrar que conviver com uma superpopulação de formigas, em um apartamento no centro, é uma grande prova de cordialidade. Há dias venho tentando convencê-las de não explorar fora de sua zona residencial - claro que com argumentos físicos.