* Ío é uma lua de Júpiter, e Dione uma lua de Saturno.
Uma Paisagem de Sonhos, por Dione Veiga Vieira
* Ío é uma lua de Júpiter, e Dione uma lua de Saturno.
Io (primeira versão)
Io (pronuncia-se ÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍo) foi uma das paixões de Zeus. Ela era filha do deus-rio Ínaco, que por sua vez era filho de Oceanus e Tétis. Sua beleza despertou a paixão de Zeus, que, para cortejá-la, cobriu o mundo com um manto de nuvens escuras, escondendo seus atos da visão de Hera. A estratégia falhou e a deusa, desconfiada, desceu do monte Olimpo para averiguar o que estava acontecendo. Numa vã tentativa de iludir sua esposa ciumenta, o deus transformou sua amante em uma belíssima novilha branca
"Um tratado onírico; o porão do IO", por Jones
Leia em: http://jonespoa.blogspot.com/
Josefina e Carolina Egon Feltes

Secessão Vienense
Munir Klamt Diz: - Klimt!
Ponto Cego
Por favor, tape o olho direito e aproxime-se da tela, Ainda sobre o mesmo assunto do post anterior: veja acima esta mistura de construtivismo e defeito de fabricação (o que pode ser dito de toda Op-art, sem demérito algum). Se possível entre no link para entender melhor a função social da figura. O conceito de ponto cego, a idéia de que algo está à sua frente, próximo e claro e, ainda assim invisível, (se isto for pensado metaforicamente, melhor ainda), é fascinante.
Cérbero* e a Enxaqueca
A. Hilzendeger FeltesFonte: My Optical Illusion
Viking Eggeling
Um dos fantásticos filmes da UFA (Universum Film Aktiengesellchaft) que fizeram parte da programação do Metropolitano. A trilha é contemporânea, mas é um dos raros casos que funciona.
Demônio Pessoal
Na primeira apresentação do SAÍA DE EMERGÊNCIA foi executada pela única vez uma música chamada Demônio Pessoal. O demônio a que a música se refere é uma pequena criatura que, dia a dia, nos fala baixíssimo, sussurrando em nosso ouvido. Algo como a spikeleeana “faça a coisa certa”. Ele não nos julga ou tem valoração moral de nossos atos, apenas gosta de nós como nós gostamos do mar à noite ou de animais selvagens – ou seja, de algo que é, simultaneamente, simples e incompreensível. No final de tudo, ele ainda espera alguns dias enquanto nosso corpo vira playground de vermes. Nossa única obrigação para com ele é fazer um esforço gigantesco para ouvi-lo. Antes que sejamos acusados de Satanistas e associados aos seguidores do Iron Maiden, vamos esclarecer que, toda vez que falamos em demônio, estamos falando daquele cavaleiro que ajudou Eva e Adão a tomar consciência de sua mortalidade, e, para o bem ou para o mal, ajudou-os na fuga do paraíso. É bom sempre lembrar que a imagem clássica do demônio está associada, à uma forte mídia negativa feita pelo cristianismo em relação às entidades pagãs como o Fauno romano ou o Pan grego, ou ainda o Cernunnos Celta, criaturas estas vinculada à ordem da natureza. O nosso Demônio Pessoal é, na verdade, nossa gíria para auto-consciência. Aforismos: Kafka, Franz

O caminho verdadeiro segue por sobre uma corda, que não está esticada no alto, mas se estende quase rente ao chão. Parece mais determinado a fazer tropeçar, do que a ser transitável..
A partir de um certo ponto não há mais retorno. Esse é o ponto que deve ser alcançado.
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O homem não pode viver sem uma permanente confiança na existência de algo indestrutível dentro de si. Tanto a indestrutibilidade quanto a confiança funcionam como um abrigo permanente. Um modo de expressão desse estar abrigado é a crença em um Deus pessoal.
A. Hilzendeger Feltes (Parte 3)
Zede Etes- O Estranho Equívoco, etc, etc.
Autochoque e o Estoicismo
Uma das intenções do projeto Autochoque (veja o post de primeiro de abril) é falar sobre acidentes automobilísticos de uma forma estética, analítica e fria, o cerne sendo a consciência de que tragédias automobilísticas são um grave problema de nosso tempo, mas que no futuro serão consideradas uma das excentricidades da humanidade nos séculos XX e XXI - da mesma maneira que vemos os sanguinolentos rituais astecas, as cruzadas dos meninos de 1212 ou a crença no Mar Tenebroso como algo absurdo, beirando o incompreensível. Abaixo, exemplo cabal de estoicismo em relação aos costumes anacrônicos de seu tempo:
Musa do Autochoque
Santa Apolônia e um zangão ousado.
No anteriormente citado salão 10x10, entre os trabalhos que não foram selecionados, estava o zoofílico “Retorno Fatal ao Figurativo”*, uma assemblage entre Santa Apolônia e um Zangão. A crença pseudo-cientifica afirma, categoricamente, que os zangões não voam. Aerodinamicamente falando. E os crentes na ausência de Deus (ateus), que santos não existem. Logo, dependendo do ponto de vista, tratava-se de um trabalho minimalista sobre o nada. Aos que estão desesperados para saber mais sobre esta fascinante Santa Apolônia, afoguem-se em sua curiosidade abaixo. Santa Apolônia foi (e é) uma Mártir Cristã no ano 246, criada na Alexandria durante o reinado do Imperador Philip I, o Árabe (244-249) e Trajanus Decius (249-251), período em que multidões furiosas, na Alexandria e Egito, saíam às ruas à caça de cristãos (um esporte muito em voga na época). Apolônia, uma Diácona, foi apanhada pelo populacho e, como ela se recusava a renunciar a Jesus e a sua fé, foi cruelmente torturada. Seus dentes foram arrancados com uma torquês, quebraram seus maxilares e levaram-na a uma pira, onde veio a morrer queimada. Abaixo, a descrição de um transeunte no tempo e espaço: "Eles amarraram esta preciosa virgem, quebraram todos os seus dentes com socos nos maxilares, fizeram uma fogueira e ameaçaram queimá-la viva, mas ela continuava recusando a recitar as blasfêmias que eles queriam que ela recitasse (provavelmente mesmo que ela quisesse recitar qualquer coisa, não sairia). Então, de repente, ela mesma entrou na pira e foi logo envolvida de um fogo do "Espírito Santo", pois de lá de dentro ela nos olhava com o rosto de uma cristã sem nenhum medo.”. Os anais de seu martírio contêm outras crueldades, mas, na liturgia católica, ela é representada segurando a pinça usada em seus dentes, tendo-se tornado a padroeira oficial dos dentistas e sendo invocada contra a dor de dente. Pra quem acha os X-men grande coisa, recomendo a leitura da vida dos santos e mártires da cristandade (aquilo que era mutante!).
* O título, para quem não perde tempo com as mumunhas das artes, refere-se a um hipotético zangão que, depois de uma longa fase abstrata, retorna à figuração, desenha uma santa, e morre (romanticamente, tipo século XIX) apaixonado pela mesma.
A. Hilzendeger Feltes (Parte 2)
Foto gentilmente cedida pelo Museu Hipólito José da Costa
Winsor McCay
Saquem seus cartões de crédito:
http://www.amazon.com/Little-Nemo-1905-1914-Winsor-McCay/dp/3822863009
http://www.amazon.com/Best-Little-Nemo-Slumber-Land/dp/1556706472
Winsor Beuys
O post acima é uma referência à homenagem que prestamos ao Little Nemo de McCay em ZEDE ETES - O Estranho Equívoco de A. Hilzendeger Feltes. Na verdade, a homenagem é na linha Marvel “o que aconteceria se...” Winsor McCay se transformasse em Joseph Beuys.
Foto: Laura Cattani
Mas quem diabos é A. Hilzendeger Feltes? (Parte 1)
Foto feita pelo retratista Otto Schönwald
Em 1907, aos 21 anos, o Sr. A. Hilzendeger Feltes, se estabelece em porto alegre, vindo de Berlin, na Alemanha, para tentar uma nova vida no Brasil. Depois de um difícil começo, a Confeitaria Real, aberta por Feltes, prospera, deixando-o em condições de trazer sua esposa Anna Egon Feltes no ano de 1912. Neste período, o Sr. Feltes se integra à comunidade alemã local e torna-se um bem relacionado homem de negócios. Seu interesse por cultura, no entanto, o leva a ambicionar um empreendimento no qual ele acreditava que teria mais satisfação pessoal. Ele se mantém atualizado sobre pintura, literatura e cinema na Europa, através de intensa correspondência com seus irmãos, Karl e Reinhard, enquanto almeja a criação de um Cine-Teatro, prospera atividade comercial e social na provinciana Porto Alegre da década de 10. Sua amizade com os irmãos Petrelli e Hirtz, proprietários de diversos cinemas na cidade, são o suporte para o nascimento do Cine-Theatro Metropolitano.
10 cm²
Luas de Urano
Calíope - Com seus globos oculares em constante mutabilidade ou evolação (verbo evolar), já teve em seu olho direito desenhos que lembravam uma galáxia espiralada. Foto: Laura Cattani
Luas de Urano (Episódios 1-14) é uma peça sobre uma das Luas de Urano (óbvio). A lua em que se desenvolve a narrativa em questão chama- se Miranda, que é filha de Próspero da peça A Tempestade de Shakespeare (cada lua de Urano tem o nome de um personagem feminino de Shakespeare). Esta peça faz parte do que, informalmente, chamamos de Trilogia Negra.
A primeira parte é sobre Miranda + mixomatose (doença altamente contagiosa em coelhos) + Fibonatti (e a relação áurea da reprodução dos Coelhos) + 184C°negativos + condicionamento pavloviano + toxoplamose e acidentes automobilísticos + café... e por aí vai.
A segunda parte se chama 40 dias e é sobre os soldados Romanos e a consciência de ter feito um grande equívoco ao crucificar Jesus (ou não).
A terceira, chamada Ponto Cego, é sobre a fisiologia dos olhos e episódios que envolvem a cegueira. A musa inspiradora desta trilogia é Calíope, nossa gata (Calíope é o nome da musa inspiradora da poesia épica na mitologia grega).
Arena, Bibiana Coronel

Sobre a exposição (ZH, 03/04/2008):
"Zede Etes" começa hoje
Na Porto Alegre do início do século 20, o imigrante alemão A. Hilzendeger Feltes é o bem-sucedido proprietário de uma confeitaria e de um cine-teatro no qual se orgulha de exibir filmes expressionistas. Até que sua vida cai em desgraça.Feltes perde mulher e filhos para a Gripe Espanhola, tem um irmão caçado pelos nazistas, fecha o cinema. No letreiro despencado, sobram - do nome do proprietário - apenas as letras ZE_DE_E_TES. Os vizinhos passam a acreditar que, lá, se projetam sonhos e pesadelos.Essa história, com tudo o que há nela de real e ficção, dá o mote para a exposição Zede Etes - O Estranho Equívoco de A. Hilzendeger Feltes, que será inaugurada hoje à noite no porão do Paço Municipal, a chamada Prefeitura Velha, no Centro. Os autores - os artistas plásticos Laura Cattani e Munir Klamt, que se apresentam como Grupo Ío - fazem questão de manter a dúvida sobre o que, ali, é invenção. Também não pretendem esmiuçar essa história para os visitantes.- Sempre deixamos uma margem aberta - sublinha Laura. Na prática, o que o visitante vai encontrar é um clima múltiplo - e carregado. Há ruídos, luzes, vídeos e objetos estranhos. O clima tende ao mistério, flerta com o horror.Para quem quiser acompanhar melhor as desventuras do alemão Feltes, há um site oficial no qual se conta seu drama - www.grupo-io.com - e no qual se pede aos leitores que contem sonhos. Um deles pode entrar na próxima exposição.
ZEDE ETES
Exposição do Grupo Ío
Porão do Paço Municipal (Praça Montevidéu, 10), fone (51) 156
Abertura: hoje, às 19h. Visitação até 2 de maio, de segundas a sextas, das 9h às 12h e das 14h às 18h. Entrada franca.
O Grupo Ío, formado pelos artistas plásticos Laura Cattani e Munir Klamt, recorre a várias linguagens - vídeos, projeções, sons, fotografias e objetos - para recriar o universo onírico e sentimental de um homem marcado pela tragédia.
Site: www.grupo-io.com
Preste atenção - No clima de sonho e medo que pretende arquitetar, o Grupo Ío incorpora os ruídos da tubulação de ar-condicionado que percorre o porão do Paço.
Dica ZH - Só pelo lugar, já vale a visita à exposição Zede Etes. O porão do Paço Municipal, a chamada Prefeitura Velha, é um espaço ainda pouco conhecido, mas muito impressionante, com suas paredes em arco, tetos rebaixados, vãos e recintos. O prédio é de 1901 e foi tombado pelo patrimônio histórico municipal em 1979. O porão foi recuperado na reforma de 2003.
Link da matéria:
Primeiro de Abril
Durante o processo de desenvolvimento do espetáculo ZEDE ETES (pronuncia-se Zêde Étes), e em parte influenciado por suas dificuldades de realização, surge o SAÍDA DE EMERGENCIA, que é um espetáculo homeopaticamente claustrofóbico, fortemente musical, com dança e vídeos. A formação desta apresentação era, além de Laura Cattani e Munir Klamt, Guilherme Klamt, Fabrício Prado, Bibiana Arena Coronel e Desirée Marantes como convidados. A temporada seguinte do SAÍDA DE EMERGENCIA (2006) contou com Carlos Bica e Crosa. Sua formação atual inclui Tiago Neumam e Nando Barth. O SAÍDA DE EMERGENCIA gerou um gêmeo isquiópago, o espetáculo Autochoque, que versa sobre acidentes de veículos automotores, suas ondas de choque e, claro, humor negro.
Montanha com Rodas
A casa tá andando!
Por anos, o conceito de uma casa que andasse me fascinou (meu pai comprou um trailer logo depois). Eu representava graficamente esta idéia através de uma montanha com rodas e passageiros em seu conteúdo. Algo como um bunker móvel. Em 2005, no espetáculo Zede Etes, uma das partes apresentava uma montanha com rodas (vide foto). E, na quarta parte d`O Estranho Equívoco de A. Hilzendeger Feltes, chamada Máquina de Presságios, há um vídeo sobre o assunto. Porém todo este comentário é apenas para fazer uma homenagem póstuma. Na música da tal Montanha com Rodas era usado um sampler de quatro ou cinco notas de Hans Otte, recentemente falecido. Ouça Das Buch der Klange, disco usado no sampler (tem no emule).
Outro Disco:
Em arte, tudo é processo.
Em 1971, Gerald Mayo entrou com um processo no tribunal regional da Pensilvânia contra Satã e seus asseclas, afirmando que ele tinha colocado obstáculos de grande monta em seu caminho, que causaram sua decadência. Em 3 de Dezembro, a reclamação de Mayo foi negada, sob a alegação que o acusado não residia na Pensilvânia.
Mais Marimbondos
Lendo sobre marimbondos, em um guia rural, iluminei minha infinita ignorância* sobre seus hábitos alimentares. Os mesmos são predadores de formigas, aranhas e cupins (logo, suponho que a ocupação da cachopa citada no post anterior seja uma forma de ironia das formigas). Na exposição ZEDE ETES - O Estranho Equívoco de A. Hilzendeger Feltes (nome com pendores a capítulos de “Cândido” de Voltaire) há um trabalho com o nome de “O Diabo Está Nu Atrás Da Porta” este trabalho pode ser chamado de um ready-made modificado animal (o “nu” do titulo é uma brincadeira com “Nu Descendo Escada” de M. Duchamp). Cupins consumiram o miolo de uma porta até que surgisse a imagem de um demônio, visível quando incide luz por trás da mesma. Em uma citação de iconografia medieval (acho que é isto que é o mundo pós-moderno), os cupins nos brindam de forma sarcástica com uma imagem dos nossos mais profundo temores ou (como dizem os céticos) é apenas coincidência. .*Cito aqui Blixa Bargeld dos Einstürzende Neubauten para quem só há duas coisas infinitas o espaço e a ignorância (nunca entendi se ignorância em relação a conhecer todas as coisas ou ignorância como qualidade humana com vetor negativo mais presente na história)
Convívio Social
Porém, apesar do fascínio, é importante lembrar que conviver com uma superpopulação de formigas, em um apartamento no centro, é uma grande prova de cordialidade. Há dias venho tentando convencê-las de não explorar fora de sua zona residencial - claro que com argumentos físicos.







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